segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

há de haver um dia

em que vou ser salva por um príncipe de carne e osso. uma pessoa normal, mas que gosta de mim. com quem hei de arriscar construir um caminho. e havemos de trabalhar e voltar ao fim do dia para uma vivenda estilo colonial, com um terraço a toda a volta, onde há de haver uma rede e pelo menos dois sofás para os dias de calor. uma vivenda com um jardim interior, fechado com paredes de vidro grosso, que dão para um corredor. para onde dão portas para todas as divisões. onde passamos em dias de chuva e temos aquele arrepio de estarmos dentro de casa protegidos. numa sala com lareira a ver uma cozinha onde o fogão está ao centro. onde há de cheirar a bolos quentes no inverno e a batidos de fruta no verão. banheiras antigas de pés pintados, em casas de banho modernas, de espelhos de corpo inteiro. janelas que vêem para além do varandim, para o relvado de sombras convidativas, com canteiros a cortar o verde.

era assim que eu me adormecia, a pensar num futuro risonho que não veio. mas fui vivendo, fiz-me à vida. e o que não veio, influenciado pelo que ao invés compareceu, deixou de ser embalo para estas noites compridas, em que chamo o sono e ele não vem.

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