Ora então aqui fica o meu desabafo sobre a Ordem dos Psicólogos. e sobre alguns dos psicólogos portugueses.
eu percebo que vocês não concordem com a Ordem, nem com alguns dos aspectos - ou até com todos - que foram definidos pela Lei - que não foi a Ordem que escreveu, por muito que custe entender ou acreditar nisso.mas eu percebia mais se as opiniões que apresentam fossem fundamentadas. e infelizmente tenho-me deparado com várias que não são.
outra coisa. falam de direitos e da defesa dos direitos dos psicólogos. e eu pergunto-me que direitos temos tido nós, nos últimos anos, neste país. desde voluntariados que se prolongaram durante anos em hospitais públicos, a estágios profissionais que não eram remunerados e aos quais estavam associadas responsabilidades equivalentes a um posto de emprego, passando por todo um conjunto de situações como psicopedagogos a dar consultas de psicoterapia ou até psicólogos que nunca tinham visto pessoas em consulta - porque o curso que tinham feito não incluía estágio académico - abrirem consultórios sem supervisão. ou esperem, o fabuloso curso da CEAC.
pergunta: algum de vós iria ao médico que não estivesse inscrito na Ordem dos Médicos? ou procuraria um advogado que não fosse membro da Ordem dos Advogados? pois que presumo que não.
todos nós sabemos que o caos está instalado na profissão. e arrumar o caos é difícil. demora tempo. e se calhar esta Direcção pode não ser a mais perfeita - mas curiosamente foi a única lista que se apresentou a eleições (vamos lá falar do intervencionismo e da pró-actividade da profissão) - e pode ser que venha outra melhor. esperemos que cada uma seja melhor do que as anteriores. mas só esta está no início, e se calhar, criticar sem se apresentar para fazer propostas alternativas, a esquecer que quem lá está anda há anos esquecidos a batalhar por algo que todos queriam e que, subitamente, depois de existir, todos deixaram de querer, é só resistência à mudança.
canseira.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
e puff!
o sono voltou. com sonhos, sem pesadelos. sem interrupções. com a cabeça a desejar sempre um pouco mais, quando o despertador toca. com o corpo a reclamar o cansaço ainda não desaparecido, as forças ainda não refeitas. um bocadinho menos de pudim dentro da cabeça, mas sem capacidade ainda para produzir pensamentos inteligentes. a arriscar ainda o piloto automático, que se tem saído sempre bem.
nos últimos dias muita coisa aconteceu. muito pequenas. mas com muito significado. intensa, não efusiva. penso em mim uma e outra vez nestes moldes, quando olho para quem consegue passar um concerto a abanar a cabeça e a fingir que toca guitarra, enquanto eu passo um concerto a sorrir, só. penso em mim uma e outra vez nestes moldes, quando vou para casa e vejo quem grita ao telemóvel, ou chora compulsivamente, enquanto fala com alguém que eu não estou a ver. e eu sei que me limitaria a engolir em seco e cerrar os dentes até os maxilares doerem de tão juntos, quase fundidos num só. penso em mim uma e outra vez nestes moldes, quando tenho conversas que era suposto não ter, ou que era suposto revoltarem-me o estomâgo, ou que era suposto evitar.
está a acabar-se um tempo, e a aproximar-se o início de outro. que ainda não sei como o começar. porque voltas dadas dentro da cabeça e ainda não tenho assentes conclusões. só sei que voltaria atrás para fazer muitas das coisas que fiz até agora, porque não saberia o que sei hoje, e só sei que a maior parte delas não as quero repetir, porque sei o que sei agora. está a acabar-se um tempo e a aproximar-se o início de outro, e o caminho que ficou para trás já não lhe conheço os contornos e parece que a entrada é outra vez a mesma, mas parece-me tão diferente. é outro começo. mas é começar outra vez.
nos últimos dias muita coisa aconteceu. muito pequenas. mas com muito significado. intensa, não efusiva. penso em mim uma e outra vez nestes moldes, quando olho para quem consegue passar um concerto a abanar a cabeça e a fingir que toca guitarra, enquanto eu passo um concerto a sorrir, só. penso em mim uma e outra vez nestes moldes, quando vou para casa e vejo quem grita ao telemóvel, ou chora compulsivamente, enquanto fala com alguém que eu não estou a ver. e eu sei que me limitaria a engolir em seco e cerrar os dentes até os maxilares doerem de tão juntos, quase fundidos num só. penso em mim uma e outra vez nestes moldes, quando tenho conversas que era suposto não ter, ou que era suposto revoltarem-me o estomâgo, ou que era suposto evitar.
está a acabar-se um tempo, e a aproximar-se o início de outro. que ainda não sei como o começar. porque voltas dadas dentro da cabeça e ainda não tenho assentes conclusões. só sei que voltaria atrás para fazer muitas das coisas que fiz até agora, porque não saberia o que sei hoje, e só sei que a maior parte delas não as quero repetir, porque sei o que sei agora. está a acabar-se um tempo e a aproximar-se o início de outro, e o caminho que ficou para trás já não lhe conheço os contornos e parece que a entrada é outra vez a mesma, mas parece-me tão diferente. é outro começo. mas é começar outra vez.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
há de haver um dia
em que vou ser salva por um príncipe de carne e osso. uma pessoa normal, mas que gosta de mim. com quem hei de arriscar construir um caminho. e havemos de trabalhar e voltar ao fim do dia para uma vivenda estilo colonial, com um terraço a toda a volta, onde há de haver uma rede e pelo menos dois sofás para os dias de calor. uma vivenda com um jardim interior, fechado com paredes de vidro grosso, que dão para um corredor. para onde dão portas para todas as divisões. onde passamos em dias de chuva e temos aquele arrepio de estarmos dentro de casa protegidos. numa sala com lareira a ver uma cozinha onde o fogão está ao centro. onde há de cheirar a bolos quentes no inverno e a batidos de fruta no verão. banheiras antigas de pés pintados, em casas de banho modernas, de espelhos de corpo inteiro. janelas que vêem para além do varandim, para o relvado de sombras convidativas, com canteiros a cortar o verde.
era assim que eu me adormecia, a pensar num futuro risonho que não veio. mas fui vivendo, fiz-me à vida. e o que não veio, influenciado pelo que ao invés compareceu, deixou de ser embalo para estas noites compridas, em que chamo o sono e ele não vem.
era assim que eu me adormecia, a pensar num futuro risonho que não veio. mas fui vivendo, fiz-me à vida. e o que não veio, influenciado pelo que ao invés compareceu, deixou de ser embalo para estas noites compridas, em que chamo o sono e ele não vem.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
we all should be able to state our mind. that should always be a right and something we should claim as an undeniable right. more than that, that is something that should be not just a right but also a duty.
penso na forma como estamos hoje dispostos a por mil e um pormenores da nossa vida em janelas virtuais e de como isso nos faz afastar do contacto físico e real com as outras pessoas. como podemos ser uma pessoa e outra, e mais ainda umas três ou quatro, dependendo do que apetece, do propósito, do estado de espírito. por trás do ecrã do computador, parecemos a Alice por detrás do espelho: o mundo é criado e recriado, sem vivência de consequências, porque há sempre a possibilidade de apagar o que foi escrito, de acrescentar um smile no final das frases para não nos comprometermos. dizemos e desdizemos, somos reis dum pequeno espaço que não existe, como sou rainha deste campo inexistente de papoilas.
penso na utopia que criamos e de como a realidade nos deixa de satisfazer, por não a poder cumprir. e de como tudo toma um sabor mais doce, mesmo que seja só ilusório.cada vez mais fechados cá dentro, com cada vez mais medo de arriscar e de viver. penso no sítio onde tudo isto irá parar, porque já nada é tomado muito a sério. porque já nada é tido como importante, porque há de certeza haver por aí um botãozinho do delete algures. ou direito a mais uma vida, como nos jogos da Xbox ou como no Prince of Persia.
e pois que parece que não há.
penso na forma como estamos hoje dispostos a por mil e um pormenores da nossa vida em janelas virtuais e de como isso nos faz afastar do contacto físico e real com as outras pessoas. como podemos ser uma pessoa e outra, e mais ainda umas três ou quatro, dependendo do que apetece, do propósito, do estado de espírito. por trás do ecrã do computador, parecemos a Alice por detrás do espelho: o mundo é criado e recriado, sem vivência de consequências, porque há sempre a possibilidade de apagar o que foi escrito, de acrescentar um smile no final das frases para não nos comprometermos. dizemos e desdizemos, somos reis dum pequeno espaço que não existe, como sou rainha deste campo inexistente de papoilas.
penso na utopia que criamos e de como a realidade nos deixa de satisfazer, por não a poder cumprir. e de como tudo toma um sabor mais doce, mesmo que seja só ilusório.cada vez mais fechados cá dentro, com cada vez mais medo de arriscar e de viver. penso no sítio onde tudo isto irá parar, porque já nada é tomado muito a sério. porque já nada é tido como importante, porque há de certeza haver por aí um botãozinho do delete algures. ou direito a mais uma vida, como nos jogos da Xbox ou como no Prince of Persia.
e pois que parece que não há.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
escolhi papoilas porque as adoro. porque adoro ver campos infindos de papoilas. aqueles pontos vermelhos que não são nunca fixos, porque a mais pequena aragem as faz balouçar.
adoro papoilas por serem as flores mais teimosas do mundo, porque só são bonitas onde querem ser e onde se sentem bem. é impossível trazê-las para casa, porque não se podem apanhar. só são bonitas onde são livres, onde devem estar. uma beleza que pode ser duradoura, mas apenas na nossa lembrança, porque não as podemos trazer connosco.
adoro papoilas por causa da sua rebeldia, pela forma como me fogem e me fazem pensar no que é verdadeiramente ser livre e no que é verdadeiramente ser belo.
adoro papoilas por serem as flores mais teimosas do mundo, porque só são bonitas onde querem ser e onde se sentem bem. é impossível trazê-las para casa, porque não se podem apanhar. só são bonitas onde são livres, onde devem estar. uma beleza que pode ser duradoura, mas apenas na nossa lembrança, porque não as podemos trazer connosco.
adoro papoilas por causa da sua rebeldia, pela forma como me fogem e me fazem pensar no que é verdadeiramente ser livre e no que é verdadeiramente ser belo.
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