talvez eu devesse ser diferente. talvez não devesse ser assim como sou. talvez os momentos em que as coisas me correm mal e eu culpo a minha maneira de ser devessem ser mais fortes a impulsionar-me para a mudança. talvez.
mas às vezes, penso de forma diferente. talvez eu devesse usar o que em mim é forte para o estender àquilo em que sou fraca. talvez eu deva ser exactamente como sou, sem vergonhas ou receios. e compreender e aceitar que o que acontece não se fica apenas a dever à forma como sou. acontece porque sim, porque há algum propósito, alguma coisa a aprender, algum desafio a superar, ou então porque alguém quis também e não foi apenas o meu querer. talvez eu devesse assumir fraquezas e torná-las forças.
eu sou a pessoa que tem dificuldade em dizer que não, que tem dificuldade em não estender a mão, que tem dificuldade em zangar-se e em não tomar conta dos outros. e isto tudo tem uma carrada de consequências que em ainda não aprendi a gerir. e se calhar o segredo está aí, esse será o ponto fulcral da mudança, o equilíbrio na gestão das consequências. porque é na recompensa que percebemos o valor do que fizemos, ou o valor que reconheceram ao que fizemos. e se calhar é nisso que me tenho de concentrar.
porque tantos anos passados já me levaram a uma conclusão: há coisas que são mais do que comportamentos que eu tenho, sou eu. e eu sou assim, para o que der e vier. e hão de vir muitas coisas mais, que cá de monotonia eu não me posso queixar. e eu já tive menos esperança do que tenho agora, já tive mais desespero. e sei que eles hão de voltar. e que hei de provavelmente estar sozinha para os receber, como costume. e sei que vou passar por eles que nem junco, como tem acontecido. mas que tenho de me agarrar a este pensamento que agora me surgiu: há certas e determinadas coisas minhas em que eu sou mesmo muito boa.
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