eu viajo literalmente na blogosfera. graças aos destaques do sapo, descubro quase todas as semanas mais um blog a adicionar à lista dos que vou lendo. uns leio alguns dias, outros passo a ler constantemente. e perco-me nas palavras alheias, que me falam das realidades vividas por cada um. que podem ser verdade ou mentira, ou mais assim ou mais assado e não bem aquilo que é posto para todos verem. porque a verdade existe facilmente manipulada neste contexto de bites e megas e gigas. e de uma solidão anónima, criada pela distância do rato.
e às vezes sinto-me tentada a comentar. a deixar a minha opinião em terra alheia. sabendo eu ser verdade tudo o que disse acima. para além do facto de ser fácil demais comentar a vida alheia, pensar ter uma opinião melhor ou mais lúcida sobre o que se lê. e tantas e tantas vezes me reprimo, porque também tenho um blog aberto a comentários e não sei de onde é que eles vão surgir.
e por isso hoje escrevo este post para não escrever um comentáio. porque há muita coisa que eu não sei. mas sei que nem sempre fazemos o que os outros compreendem.
e eu hoje estou orgulhosa disso.
terça-feira, 17 de maio de 2011
ao tempo
que ando para postar esta letra. porque quando a ouço penso em muitas coisas, e às vezes não só no que me parece o sentido primeiro do poema. páro a pensar na vida, literalmente. para muitos dos que vivem na minha vida e que "U know who I am", o sr David Fonseca:
Yeah, I've walked through dangers
I've talked to strangers
But they didn't, they didn't understand
When the world seems senseless
It's me and you against them
And I love you 'cause you know who I am
All you dreamers keep dreaming
And let those dreams rise into the light
Go find someone who loves you
To live those dreams through
Don't you go get swallowed by the night
I've walked the stages
I've read the pages
And never, never reached the end
All the world seems senseless
You're here with me against them
And I love you 'cause you know who I am
Deep inside every soul
There's a sadness on the verge of climbing through
Now don't you try and fix it
Why would you do that?
How beautiful when sadness turns to songs
And I'll walk through dangers
I'll dance with strangers
But they will never understand
We'll never be defenseless
We'll win this war against them
Don't you doubt this, yeah I'm sure we can
And who cares if they never understand
And I love you 'cause you know who I am
Yeah, I've walked through dangers
I've talked to strangers
But they didn't, they didn't understand
When the world seems senseless
It's me and you against them
And I love you 'cause you know who I am
All you dreamers keep dreaming
And let those dreams rise into the light
Go find someone who loves you
To live those dreams through
Don't you go get swallowed by the night
I've walked the stages
I've read the pages
And never, never reached the end
All the world seems senseless
You're here with me against them
And I love you 'cause you know who I am
Deep inside every soul
There's a sadness on the verge of climbing through
Now don't you try and fix it
Why would you do that?
How beautiful when sadness turns to songs
And I'll walk through dangers
I'll dance with strangers
But they will never understand
We'll never be defenseless
We'll win this war against them
Don't you doubt this, yeah I'm sure we can
And who cares if they never understand
And I love you 'cause you know who I am
quarta-feira, 16 de março de 2011
trust me, I've never done this before
and I was kind of wondering how you can survive with total lack of mental health. I'm still in doubt: I do not know if I lack mental health or I'm mentally ill. one of the two.
andei e andei para chegar aqui. e agora estou aqui. e já dei pulos na cama quando o despertador me acorda demasiado cedo com as notícias da economia portuguesa. e já me quis pôr a milhas disto tudo e já dei com a cabeça na parede milhentas vezes a pensar que é tudo mentira. mais uma vez. e ainda penso. e não sei o que pensar. e não tenho um mas os dois pés atrás e assim não se chega a lado nenhum porque o mais provável é tropeçar e cair. ai.
andei e andei para chegar aqui. e agora estou aqui. e já dei pulos na cama quando o despertador me acorda demasiado cedo com as notícias da economia portuguesa. e já me quis pôr a milhas disto tudo e já dei com a cabeça na parede milhentas vezes a pensar que é tudo mentira. mais uma vez. e ainda penso. e não sei o que pensar. e não tenho um mas os dois pés atrás e assim não se chega a lado nenhum porque o mais provável é tropeçar e cair. ai.
domingo, 13 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
talvez eu devesse ser diferente. talvez não devesse ser assim como sou. talvez os momentos em que as coisas me correm mal e eu culpo a minha maneira de ser devessem ser mais fortes a impulsionar-me para a mudança. talvez.
mas às vezes, penso de forma diferente. talvez eu devesse usar o que em mim é forte para o estender àquilo em que sou fraca. talvez eu deva ser exactamente como sou, sem vergonhas ou receios. e compreender e aceitar que o que acontece não se fica apenas a dever à forma como sou. acontece porque sim, porque há algum propósito, alguma coisa a aprender, algum desafio a superar, ou então porque alguém quis também e não foi apenas o meu querer. talvez eu devesse assumir fraquezas e torná-las forças.
eu sou a pessoa que tem dificuldade em dizer que não, que tem dificuldade em não estender a mão, que tem dificuldade em zangar-se e em não tomar conta dos outros. e isto tudo tem uma carrada de consequências que em ainda não aprendi a gerir. e se calhar o segredo está aí, esse será o ponto fulcral da mudança, o equilíbrio na gestão das consequências. porque é na recompensa que percebemos o valor do que fizemos, ou o valor que reconheceram ao que fizemos. e se calhar é nisso que me tenho de concentrar.
porque tantos anos passados já me levaram a uma conclusão: há coisas que são mais do que comportamentos que eu tenho, sou eu. e eu sou assim, para o que der e vier. e hão de vir muitas coisas mais, que cá de monotonia eu não me posso queixar. e eu já tive menos esperança do que tenho agora, já tive mais desespero. e sei que eles hão de voltar. e que hei de provavelmente estar sozinha para os receber, como costume. e sei que vou passar por eles que nem junco, como tem acontecido. mas que tenho de me agarrar a este pensamento que agora me surgiu: há certas e determinadas coisas minhas em que eu sou mesmo muito boa.
mas às vezes, penso de forma diferente. talvez eu devesse usar o que em mim é forte para o estender àquilo em que sou fraca. talvez eu deva ser exactamente como sou, sem vergonhas ou receios. e compreender e aceitar que o que acontece não se fica apenas a dever à forma como sou. acontece porque sim, porque há algum propósito, alguma coisa a aprender, algum desafio a superar, ou então porque alguém quis também e não foi apenas o meu querer. talvez eu devesse assumir fraquezas e torná-las forças.
eu sou a pessoa que tem dificuldade em dizer que não, que tem dificuldade em não estender a mão, que tem dificuldade em zangar-se e em não tomar conta dos outros. e isto tudo tem uma carrada de consequências que em ainda não aprendi a gerir. e se calhar o segredo está aí, esse será o ponto fulcral da mudança, o equilíbrio na gestão das consequências. porque é na recompensa que percebemos o valor do que fizemos, ou o valor que reconheceram ao que fizemos. e se calhar é nisso que me tenho de concentrar.
porque tantos anos passados já me levaram a uma conclusão: há coisas que são mais do que comportamentos que eu tenho, sou eu. e eu sou assim, para o que der e vier. e hão de vir muitas coisas mais, que cá de monotonia eu não me posso queixar. e eu já tive menos esperança do que tenho agora, já tive mais desespero. e sei que eles hão de voltar. e que hei de provavelmente estar sozinha para os receber, como costume. e sei que vou passar por eles que nem junco, como tem acontecido. mas que tenho de me agarrar a este pensamento que agora me surgiu: há certas e determinadas coisas minhas em que eu sou mesmo muito boa.
quinta-feira, 3 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
what would you do if you were to choose
há uns tempos tive uma conversa daquelas. ando numa de acreditar que sou doente mental, e essa foi uma das conversas que me fez fundamentar esta minha ideia. quando nos ouvimos dizer (e não apenas quando dizemos, o importante é mesmo ouvir-nos a dizer) certas e determinadas coisas percebemos o peso que elas tinham dentro de nós. porque por momentos saem cá para fora. e mesmo que seja por segundos compreendemos a diferença que sentimos entre o elas estarem escondidas e o estarem à vista. à vista estas certas e determinadas coisas ficam desprotegidas e, por momentos, somos mais fortes do que elas. e então somos capazes de pensar e acreditar que um dia seremos capazes de lhes roubar o peso que têm. e nós andaremos menos pesados por sermos mais fortes.
nessa conversa disse e ouvi-me dizer muita coisa. e depois dessa conversa, o prato girou e eu fiquei assim a modos que a confrontar-me com coisas minhas que queria mudar. e que agora já só acho que vou ter de aprender a viver com elas. e isto da aceitação é uma merda. porque por muito que me custasse, até era melhor e mais fácil se as mudasse. difícil vai ser mudar assim: aceitar que cá estão, que não vão embora e que têm de deixar de doer, de incomodar. merda.
se a minha vida fosse um guião de um filme, será que eu escolheria a minha própria personagem? será que eu não quereria desempenhar o papel de outra pessoa qualquer? ou então, que mudanças proporia eu ao argumentista?
não sou doente mental. mas neste momento da vida, não abunda por aqui a saúde mental. onde está a zanga? e a raiva? e as resoluções e o c#$%&/* que os f^*&? e onde estou eu e este impasse, neste sítio onde não quero estar mas para onde todos os caminhos embicam?
esta doença crónica, incurável progressiva e sexualmente transmissível que se chama vida anda a dar-me cabo do sistema nervoso.
nessa conversa disse e ouvi-me dizer muita coisa. e depois dessa conversa, o prato girou e eu fiquei assim a modos que a confrontar-me com coisas minhas que queria mudar. e que agora já só acho que vou ter de aprender a viver com elas. e isto da aceitação é uma merda. porque por muito que me custasse, até era melhor e mais fácil se as mudasse. difícil vai ser mudar assim: aceitar que cá estão, que não vão embora e que têm de deixar de doer, de incomodar. merda.
se a minha vida fosse um guião de um filme, será que eu escolheria a minha própria personagem? será que eu não quereria desempenhar o papel de outra pessoa qualquer? ou então, que mudanças proporia eu ao argumentista?
não sou doente mental. mas neste momento da vida, não abunda por aqui a saúde mental. onde está a zanga? e a raiva? e as resoluções e o c#$%&/* que os f^*&? e onde estou eu e este impasse, neste sítio onde não quero estar mas para onde todos os caminhos embicam?
esta doença crónica, incurável progressiva e sexualmente transmissível que se chama vida anda a dar-me cabo do sistema nervoso.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
o que eu aprendi em quatro dias
aprendi que a paixão da nossa vida é muitas vezes o imbróglio irresolúvel da nossa vida (point taken, mas...... enfim, se calhar tens razão, e é mesmo nesses moldes que a coisa deve ser dita), aprendi que a minha capacidade de engolir lágrimas é superior àquela que achava que tinha e que é terrível dar más notícias, aprendi que um verdadeiro hipocondríaco tem efectivamente uma imunidade espantosa às doenças e que há momentos que são só nossos mas que seria espantoso poder tirar um pouco da bola de emoções que se gera cá dentro e pedir a alguém que nos pudesse ajudar a suportá-la.
ahhh e aprendi que há uma opinião partilhada que se resume numa só frase: tu só não sés lésbica porque não gostas de mulheres (whatever that might mean).
ahhh e aprendi que há uma opinião partilhada que se resume numa só frase: tu só não sés lésbica porque não gostas de mulheres (whatever that might mean).
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
o meu avô é do Sporting desde sempre. e eu sou do Benfica desde sempre. e ele queria que a primeira neta também fosse do Sporting e, para que isso acontecesse, quis oferecer-me uma abelha maia, daquelas que havia às portas dos cafés, em que se punha uma moeda e aquilo balançava para a frente e para trás ao som do genérico dos desenhos animados. o meu pai não deixou, eu continuei do Benfica, mas ganhei um burro de balancé como nunca vi ninguém ter.
passei uma noite acordada na urgência com o meu avô. deixei-o para ser internado perto das quatro da manhã, com promessa de voltar para o ver daí a umas horas, e sem certeza que ele resistisse essas horas. voltei e falámos e o meu avô teve o que quis. e eu estou a ter um dos piores momentos da minha vida. o meu avô está vivo, mas a definição do "vivo" é que é estranha. e eu já me despedi e disse-lhe que o amava e que ele me vai fazer muita falta. e eu ainda acho que estou a sonhar.
eu pensei que o pior ano da minha vida já tinha acabado, mas se calhar enganei-me: não é uma questão do pior ano da minha vida, estaremos a falar é dos piores anos da minha vida. ainda não me pus de pé duma e já tropeço na seguinte.
passei uma noite acordada na urgência com o meu avô. deixei-o para ser internado perto das quatro da manhã, com promessa de voltar para o ver daí a umas horas, e sem certeza que ele resistisse essas horas. voltei e falámos e o meu avô teve o que quis. e eu estou a ter um dos piores momentos da minha vida. o meu avô está vivo, mas a definição do "vivo" é que é estranha. e eu já me despedi e disse-lhe que o amava e que ele me vai fazer muita falta. e eu ainda acho que estou a sonhar.
eu pensei que o pior ano da minha vida já tinha acabado, mas se calhar enganei-me: não é uma questão do pior ano da minha vida, estaremos a falar é dos piores anos da minha vida. ainda não me pus de pé duma e já tropeço na seguinte.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
tratado sobre "como engolir sapos"
tenho-me saído fantasticamente neste campo. estou a pensar partilhar os meus conhecimentos profundos sobre esta área com quem os queira aprender. por isso, escrever um tratado se calhar pode ser um bom início. e depois, convencida que estou que isso seria um contributo importantíssimo para a sociedade de hoje, serei convidada para palestras, cortar fitas e inaugurar congressos, and so on.
sempre pensei que era difícil. e é. mas também pensei que seria um exercício que roçaria o impossível. mas foi aí que me enganei. não é. e com treino, e muito exercício respiratório, podemos fazê-lo quase sem pestanejar e quase sem o custo de uma depressão reactiva a uma postura passiva. e sem adoptar uma personalidade passiva-agressiva, pronta a atacar o que quer que mexa à primeira oportunidade.
as primeiras vezes foram as que mais custaram. não só porque foram as primeiras, mas também porque foram as que para além do engolir do sapo me arrancaram bocados da alma. mas se essas se fizeram, nem sequer deveria ter posto em causa que conseguiria engolir os que tenho engolido ultimamente. estes são sapinhos, por comparação. mas vieram numa péssima altura, em que pensei que treino em engolir sapos era a última coisa que eu precisava.
afinal não era. estou pró. em palavras psicologicamente correctas, sou resiliente. I can endure, so they say. não sem custos, mas certamente sem abrir falência, ou ruir. um bocadinho às escuras de vez em quando, a achar-me perdida noutras alturas, mas felizmente com quem me queira encontrar e me encontre (desta é que eu não sei se ele estava à espera, ser assim referido na internet :P mas palavras certas na altura certa dão direito a elogios para todo o mundo ler).
os sentimentos homicidas estão cá. e se fechar os olhos consigo ver sangue e olhos fora de órbitas. e gritos - meus, eu que não grito, que usualmente me calo numa raiva surda - mas não o faço. respiro fundo e tento ao máximo encolher os ombros. o caminho é o de cada um, é fazer o meu, tentando que outros não tentem expropriar-me do espaço que tenho para o construir. e a raiva é poeira que tolda os olhos e entope o nariz e não deixa trabalhar.
sempre pensei que era difícil. e é. mas também pensei que seria um exercício que roçaria o impossível. mas foi aí que me enganei. não é. e com treino, e muito exercício respiratório, podemos fazê-lo quase sem pestanejar e quase sem o custo de uma depressão reactiva a uma postura passiva. e sem adoptar uma personalidade passiva-agressiva, pronta a atacar o que quer que mexa à primeira oportunidade.
as primeiras vezes foram as que mais custaram. não só porque foram as primeiras, mas também porque foram as que para além do engolir do sapo me arrancaram bocados da alma. mas se essas se fizeram, nem sequer deveria ter posto em causa que conseguiria engolir os que tenho engolido ultimamente. estes são sapinhos, por comparação. mas vieram numa péssima altura, em que pensei que treino em engolir sapos era a última coisa que eu precisava.
afinal não era. estou pró. em palavras psicologicamente correctas, sou resiliente. I can endure, so they say. não sem custos, mas certamente sem abrir falência, ou ruir. um bocadinho às escuras de vez em quando, a achar-me perdida noutras alturas, mas felizmente com quem me queira encontrar e me encontre (desta é que eu não sei se ele estava à espera, ser assim referido na internet :P mas palavras certas na altura certa dão direito a elogios para todo o mundo ler).
os sentimentos homicidas estão cá. e se fechar os olhos consigo ver sangue e olhos fora de órbitas. e gritos - meus, eu que não grito, que usualmente me calo numa raiva surda - mas não o faço. respiro fundo e tento ao máximo encolher os ombros. o caminho é o de cada um, é fazer o meu, tentando que outros não tentem expropriar-me do espaço que tenho para o construir. e a raiva é poeira que tolda os olhos e entope o nariz e não deixa trabalhar.
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